quinta-feira, 20 de março de 2014
Perguntou-me se queria vê-la dançar. Encolhi os ombros e esbocei um "pode ser". Pode ser... que resposta tão vaga, que resposta tão estúpida. Na verdade, o que eu queria era esconder a emoção que sentia. Claro que já a vira dançar antes, quando a surpreendera a aspirar a casa com uma determinação irrepreensível, valsando ao som do gira discos do avô, mas desta vez era diferente. Vê-la dançar era como entender a mecânica do mundo, desvendar o ritmo das estações e ouvir a história da vida, contada a passos largos mas leves no chão de carvalho. Mas ouvi-la perguntar se queria observá-la neste processo era como se lhe perguntassem se queria saber o que era o amor.
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